Traveling

Sabe aquela história do trem da vida? Aquela em que a vida é comparada a uma viagem de trem, onde podemos analisar que a vida é cheia de embarques e desembarques, acidentes? Os mesmos passageiros sempre permanecem neste trem, até que algum acidente acontece e paramos na estação mais triste, a estação da despedida, pois o trem sempre pára para alguém descer. Ou para alguém subir, pessoas novas, ou pessoas que não víamos no nosso trem da vida há muito tempo.

Eu acho muito interessante esse texto, não sei por que, mas ele sempre me vem à mente.  E em alguns momentos da minha vida, momentos ruins eu diria, eu pedi para que o maquinista parasse o trem para que eu descesse. Sim, algumas vezes eu quis descer desse trem definitivamente, para nunca mais voltar. Descer mesmo na “estação da despedida!” Podem me chamar de depressiva, de sadomasoquista ou de esquisita. Mas eu já tive vontade de descer sim, quem nunca teve vontade de descer que atire a primeira pedra.

Mas graças a Deus, não tive coragem de chegar ao maquinista e fazer-lhe tal pedido. Foi apenas uma vontade repentina pelas desavenças da vida. Pelas tristezas da vida. Pelos descontentamentos. Muitas vezes desnecessários, eu acho.

Também tive aqueles momentos de pedir para que o maquinista voltasse algumas estações para que eu pudesse viver novamente aqueles momentos felizes, aqueles momentos que para algumas pessoas na estação, passaram em vão, mas que para mim teve grande significado.

Estações felizes foram aquelas que passaram, tenho muitas estações que posso, definitivamente, dizer que foram maravilhosas! Estações de pura felicidade, de puro amor hahaha pura magia! Ah como eu queria voltar naquelas “paradas” e vivê-las novamente, saboreá-las com mais atenção e mais dedicação do que foi da primeira vez. Mas isso não é possível neste trem. Voltar na mesma estação para vivê-la novamente é claramente, impossível nesta locomotiva.

Sometimes, o maquinista volta em determinada estação, e você acha que vai viver alguma experiência mais uma vez, e na maioria das vezes, o maquinista volta em “paradas” que não foram lá, tão agradáveis. Ai você chega de novo àquela estação, ai você vê que a intenção do maquinista é fazer você “voltar atrás” nos seus erros e decisões. Ele está te dando uma segunda chance de acertar! De fazer a coisa certa! E aí, quando isso acontece você pode vibrar, porque uma chance dessas, raramente acontece. O maquinista é muito rígido às vezes, mas no fim das contas vemos que é para nosso próprio bem.

A coisa que mais me perturbou durante toda a minha viagem até aqui, foi o fato de o tempo passar no meu trem. O tempo passa no trem de todo mundo, o tempo passa para todos nós, ninguém é imortal, ninguém é perfeito. Mas eu não diria que eu quero ser imortal, ou perfeita. Que graça teria a vida se todos nós fossemos perfeitos? A vida seria tão sem graça que nem o maquinista ia nos aguentar.

O fato é que desde muito pequena uma pergunta martela na minha cabeça: “Por que diabos eu tenho que envelhecer? Por que diabos eu não posso ter sete anos para sempre?”.

Sim, foi no meu aniversário de sete anos que, “envelhecer” aos meus olhos, começou a ser um problema. Podem me achar tola, patética ou infantil. Podem achar o que quiser. Mas não sei por que, crescer, ficar velha, fazer aniversário, para minha pessoa nunca foi lá motivo de comemoração. Óbvio que eu gostava e gosto de festa de aniversário, de ganhar presentes, comer bolo e salgadinhos. Mas todos os anos são a mesma coisa. E mais um ano se vai e eu estou me aproximando da velhice, minha juventude está indo embora… Tenho só vinte anos, mas já penso nisso, e não é uma questão de estética. Na verdade é uma questão de “eu não sei por que ficar velha me preocupa!”

 

Sei lá, não venham me perguntar porque a resposta sempre vai ser ”eu não sei!?!”

Algum tempo atrás, pedi ao maquinista que me levasse alguns anos atrás! Sim, eu tive a pachorra de pedir isso a ele! E ele riu da minha cara, como quem diz: “minha querida, não se preocupe, tudo vai dar certo, um dia de cada vez!”. Mas eu ainda tenho muita dificuldade em viver um dia de cada vez. Mas com a ajuda de uma amiga, que senta ao meu lado no trem algumas vezes, hoje em dia eu já consigo viver um dia de cada vez com mais calma! HAHAHA Pode parecer loucura, eu sei. Mas é assim que as coisas funcionam comigo.

Mas é isso ai, vivendo e aprendendo, parando e aprendendo, recarregando seu bilhete e aprendendo. Enchendo o saco do maquinista e aprendendo! Uma coisa importante nisso tudo, é que temos que aproveitar muito bem essa viagem, porque ela dura pouco. Às vezes menos ainda do que imaginamos. Precisamos ser pacientes e persistentes mutias vezes, mas acima de tudo, aproveitar a viagem. Aproveitar que hoje estamos em um vagão executivo, e que amanha podemos não estarmos mais. Acordarmos e estarmos em um vagão inferior. Eu tento sempre pensar nisso, quando estou cogitando pedir ao maquinista que me deixe descer, aí eu paro e penso. E me calo.

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