Nas últimas páginas

Eu não sei como começar. Na verdade eu nunca sei como começar e onde começar, mas aí eu começo. São dias pensando em diversas coisas, diferentes frases e textos inacabados na cabeça, e aí um dia eu só começo. Abro o computador, o bloco de notas ou o meu caderninho, e começo a escrever e colocar para fora de um jeito ou de outro o que tá aqui dentro do peito cozinhando.

A incerteza das coisas da vida e dos nossos caminhos foi o que me trouxe até aqui. Aquela sensação de que estava perdendo o controle da situação, é na verdade uma falácia. Uma mentira instaurada em nossas mentes, uma ilusão criada pelo ser humano, porque a verdade meus caros amigos é que não existe o controle de nada. Infelizmente aquilo que alguns tanto acham que estão com o poder de controlar, na verdade não estão.

E pensando nisso, me veio também o pensamento de que se o controle é algo ilusório, a tal da ansiedade também é. É tudo fruto da nossa maravilhosa e diabólica imaginação. Porque a ansiedade nada mais é do que o medo de perder o controle de algo, o medo do desconhecido e de não controlar esse desconhecimento. 

Parece até papo de filosofia tudo isso, e se você leu até aqui e está perdido, tudo bem, eu também estou. Mas o que estou tentando dizer e também tentando entender é que o controle não existe, e tudo aquilo que é criado em volta dele também não. 

Podemos planejar o que quisermos, da maneira que quisermos mas se o destino, a vida, a vontade de Deus, ou seja lá o que você acredite, disser que não é para ser, então não será. Se a vida promete de uma forma, e você planeja de outra, infelizmente ou felizmente, meus amigos, será como prometido. 

E eu aprendi essa lição de diversas maneiras durante a vida e em momentos muito distintos. O último deles, para quem acompanha minha nada mole vida, já deve imaginar, que é o assunto do último post aqui do blog. E quando meu pai se foi, eu vi meu mundo todo se abrir na minha frente, senti como se o chão tivesse aberto e eu estivesse à beira de uma cratera e se caísse ali, não sei o que poderia acontecer. 

Mas na verdade eu acho que caí sim. É, eu caí. E eu ainda to tentando escalar de volta para a superfície, mas hoje eu sei que quando chegar na superfície, ela não será mais a mesma, o mundo será e já é completamente diferente ao meu redor.

Nessa escalada, do precipício, com muito fogo queimando nas minhas costas mas também com muito vento soprando a meu favor, pude observar algumas coisas, algumas pessoas, algumas ações. E olha, o que tenho para concluir dessa observação é que não foi muito agradável.

Minha mãe sempre costumava dizer quando eu era criança, que eu era muito quietinha mas muito observadora, e apesar  de hoje eu falar mais que a boca em muitas vezes, eu continuo a observar. Calada ou não eu to te observando. 

De tanto assistir, de tanto ouvir e refletir. Pude finalmente sentir. Sentir na pele aquela sensação de desapontamento, de surpresa e descontentamento com diferentes coisas. 

Pude enxergar finalmente algumas coisas que pode ter estado bem na ponta do meu nariz por muito tempo e nunca foram vistas. Meio que aquela sensação de ficar vesga por tentar enxergar uma mosca na ponta do nariz sabe? Ficamos vesgos tentando ver e mesmo assim não vemos, não enxergamos e se, em algum momento finalmente o vemos, o subconsciente faz de tudo para esconder, para cavar um buraco bem fundo na mente e enterrar a sete palmos aquilo que gostaríamos de não ter percebido. Mas, uma vez visto não é possível ser desvisto, é claro.

Foram algumas sessões de terapia, algumas noites de hipnose guiada no Spotify e muitas noites sem dormir tentando entender tudo aquilo. Meu cérebro trabalhando ha mil por hora, fazendo um trabalho cerebral nunca antes visto pela historia da humanidade – também não precisamos de exagero.

Alias exagero é outra palavra em ascensão aqui. O exacerbado, o eufórico e o drama. Aquele dramalhão de novela, aquela dramaturgia de Manoel Carlos ou de Maria do Bairro – você escolhe. Porque se tem uma coisa que tem como escolher é o tipo de script que você quer ler sobre os últimos seis meses que passei no Brasil. Só escolher e te entrego em mãos. Fica a vontade.

Claro que não foi sempre assim, não foi o tempo todo com sentimentos horríveis de luto, perda, e frustração. Tive também alguns poucos mas extremamente preciosos momentos que sou mais do que grata por ter vivido. E por eles deixo aqui meu profundo e mais sincero agradecimento àqueles amigos e familiares que estavam comigo fisicamente ou pela web me dando força para continuar, me dando algum momento de conforto e de companhia mesmo naqueles instantes onde não havia nada a ser dito, somente sentido. 

Sabe aquela famosa frase: ‘a gente so sabe quem é amigo na hora da necessidade’ ? Então…Obrigada a todos vocês do fundo do coração. Eu jamais vou esquecer de como vocês não soltaram a minha mão.

E foi depois de tantas idas e voltas para o Brasil, que eu saí do meu país dessa vez de uma maneira, claro, mais do que diferente. Depois de tudo o que me aconteceu, depois de tudo o que vivi, essa foi a primeira vez que dentro do avião, decolando e desencostando do solo brasileiro, que chorei. Chorei lágrimas gordas, daquelas pesadas e com significado marcante. Normalmente, eu choro sim em todo fechamento de ciclo, em toda vez que completei um objetivo morando fora do Brasil, eu chorava na volta para casa. Mas dessa vez, eu estava chorando na partida do meu país para outro. O choro não era de desespero, não era de arrependimento de querer voltar para casa e ficar com minha mãe assistindo This is Us sem parar, não era esse o motivo do choro – apesar de que já estou com saudades das nossas noites de filmes e séries juntas mommy!

Se você me perguntar qual foi o motivo desse choro tão forte, eu não sei te dizer ao certo, eu também estou aprendendo e tentando entender este momento. Mas o que me vem a cabeça é, a sensação do real fechamento de ciclo.
Nós sempre estamos abrindo e fechando ciclos em nossas vidas, uns de maneiras mais suaves do que outros. Mas o ciclo que fechei agora, a porta que se fechou, foi o mais importante da minha vida. Foi o fim de uma era. Um dos meus pilares foi arrancado, hoje só me resta um. Um que amo tremendamente e sou grata por existir. Mas o sentimento que ficou é de que, o pilar que ME fez existir na MINHA historia, se foi. 

Ao fechar este livro, sei que tenho outro já em mãos, mas sabe como é…Quando se começa um livro novo, o começo pode ser desinteressante, pode ser lento e arrastado. Mas se continuarmos a le-lo, podemos ter surpresas, e que sejam das boas, pelo amor de Deus.

Se você leu até aqui, obrigada. Se você quer continuar apostando em mim, neste blog e no meu canal do Youtube que está empoeirado, obrigada. Estou tentando achar graça nisso tudo de novo, tentando me motivar a fazer mais disso novamente e espero encontrar vocês comigo.

˜xoxo˜


4 comentários sobre “Nas últimas páginas

    1. Querida sobrinha,adoro a profundidade dos teus pensamentos e sentimentos..como tio quero ir além…a dor que vc sente e a mesma do André que perdeu em um instante tudo que era importante na vida dele… ir além… transcender a dor é preciso… abraços

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      1. Fico muito feliz que voce tenha lido e entendido meu texto Tio! Espero que continue acompanhando meu conteúdo! Obrigada ❤

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  1. Lindo texto como sempre!
    Coisas novas virão, para encher seu coração de alegria…a vida continua por mais difícil que pareça, mas o ciclo se renova mesmo nas dores mais intensa…desta vez foi mais difícil é diferente…vc tem a vida pela frente ela será boa. Promessa de mãe….

    Curtido por 1 pessoa

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